Um leque de opções

por Carolina Gentile e Felipe Godoy 

Sem dispensar intervenções cirúrgicas, a oncologia conta com um arsenal de novas possibilidades no tratamento.

A mesa de cirurgia costuma provocar medo em muitos pacientes. Herdamos do passado, quando os procedimentos eram mais arriscados e dolorosos, a aversão por operações, sustentando mitos que acompanharam gerações. Mesmo nos dias atuais, em que homens e mulheres se submetem a procedimentos puramente estéticos com frequência, ouvir de um médico a indicação para uma cirurgia pode soar como prognostico negativo. Considerando os avanços da medicina, em especial na oncologia, não há justificativas para o temor. Hoje, progressos tecnológicos e a ampliação de conhecimento fizeram das cirurgias artifícios seguros – mas sem exclusão de riscos – e ainda um dos pilares para o tratamento do câncer. Entretanto, já existem técnicas que podem substituir ou complementar o tratamento cirúrgico convencional, que exige, muitas vezes, um longo período de recuperação.

Imagine se, poucas horas após passar por um procedimento curativo, você estivesse em casa, junto com os familiares e amigos. “A cirurgia é um procedimento mais agressivo que outras técnicas. A tendência é buscar métodos menos invasivos na tentativa de controlar a doença, preservando a qualidade de vida do paciente”, explica o coordenador do Serviço de Radiologia e Intervenção Guiada por Imagem do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), Marcos Menezes.

Não é o fim dos centros cirúrgicos. O que os avanços das últimas décadas trouxeram foi, na verdade, um leque maior de opções no combate ao câncer. Uma das consequências é a chance de tratamentos que aliam métodos diversos. Se anos antes a operação era a única opção, agora o quadro pode ser outro. Nas intervenções guiadas por imagem estão algumas destas alternativas. Elas permitem a diminuição do tempo de internação; a aplicação de anestesia local, ao invés da geral; e o retorno, pelo paciente, às suas atividades do dia a dia rapidamente. Tudo isso sem perder os benefícios terapêuticos oferecidos pela cirurgia convencional.

O aposentado Abílio Pinto, 59 anos, foi diagnosticado com câncer no fígado enquanto se preparava para um transplante. Como o órgão já estava debilitado por causa de uma cirrose hepática, que inviabilizava uma cirurgia convencional, a equipe médica optou pela radioablação. O procedimento consiste na introdução de uma agulha, que penetra precisamente  no interior do  tumor. Uma corrente elétrica alternada de alta frequência produz um calor superior a 60°C, capaz de destruir totalmente as células cancerígenas, sem atingir os tecidos locais saudáveis.

O procedimento de Abilio durou pouco mais de uma hora e não houve a necessidade de complementar o tratamento com radio ou quimioterapia. “O médico me explicou as vantagens desse método, que pelo o que sei é algo recente e inovador. Aceitei, mas não imaginei que a recuperação seria tão rápida”, comemora o aposentado, que já não encontra mais as marcas da perfuração e aguarda o transplante.

Outro método, eficaz em diversos casos de câncer – e semelhante ao que Abílio se submeteu –, é a crioterapia. A diferença está na temperatura. Este procedimento congela o tumor, destruindo-o. “O uso de métodos de imagem para guiar intervenções médicas tem ampliado as possibilidades no tratamento do câncer. A ablação percutânea, por exemplo, promove a destruição de tumores por meio de aplicações de diferentes tipos de energia”, observa Menezes. Indicada para alguns tumores no fígado, rins, pulmões e ossos, a alternativa atua de forma integrada com modalidades convencionais, como a cirurgia, a radio e a quimioterapia. Os procedimentos destroem totalmente cerca de 90% dos nódulos com até três centímetros.

Analisando a saúde de cada um, a equipe pode, em conjunto com o paciente, escolher o caminho a seguir, seja em busca da cura ou da promoção da qualidade de vida. Há outras tecnologias sendo estudadas ainda  em caráter experimental como é o caso da eletroporação irreversível, da radioembolização e do micro-ondas. (veja mais informações sobre estas e outras técnicas no quadro ao lado).

Segundo Maria Del Pilar Esteves Diz, coordenadora da Oncologia Clínica do Icesp, as várias opções extras, além da cirurgia, podem funcionar como artifícios no planejamento de estratégias terapêuticas. “Há casos em que conseguimos substituir completamente a cirurgia, em outros, a grande vantagem é, com métodos complementares, torná-la viável e mais segura”.

A radioterapia, aliada, por vezes, à quimioterapia, substitui a cirurgia convencional em casos específicos. Para alguns casos de tumores no colo de útero, por exemplo, obtêm-se os mesmos resultados do ponto de vista de chance de cura e sobrevida se comparada à operação. A associação destas duas técnicas pode substituir, muitas vezes, também o procedimento cirúrgico em alguns tipos de câncer na região da cabeça e pescoço. Assim como os outros métodos, pioneiros e em constante estudo, a união da radio e da quimioterapia consegue exercer o papel de preservar o paciente de uma intervenção cirúrgica ou diminuir seu impacto.

O conhecimento na área da oncologia avança e, com ela, a possibilidade dos pacientes receberem um melhor tratamento, seja no centro cirúrgico ou longe de suas portas. O importante é viver cada vez mais e com qualidade.

Clique no quadro para melhor visualizá-lo.

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