Ensinando a viver


Quem observa os longos cabelos de Jocastra Oliveira,  do Serviço Social do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), não imagina que há pouco tempo a jovem precisou cortá-los. Aos 16 anos, descobriu-se portadora de hidrocefalia, doença que gera o acúmulo de líquido no crânio, podendo causar lesões cerebrais. A enfermidade é comumente diagnosticada na gestação ou no início da infância. Mas, no caso da moça de sorriso tímido, foi detectada na adolescência. Não se sabe o porquê, porém o mais provável é que uma queda tenha causado o problema. Um caso raro.

Após conviver por algum tempo com dores de cabeça, ela decidiu procurar um neurologista – que, ao receber os resultados dos exames, solicitou internação imediata. Foram 40 dias no hospital, aguardando a cirurgia, realizada em dezembro de 2005. Antes disso, precisou tomar uma difícil decisão: raspar os cabelos. A resistência inicial deu lugar à luta pela vida. Precisou também abandonar o colégio. “Mas não tive problemas, pois já tinha passado de ano”, recorda, com orgulho.

Jocastra diz que não sofreu bullying ao voltar à escola, talvez por causa do estilo rock’roll que adotou. Para driblar a careca, usava lenços e bonés. E curtiu as fases do cabelo: curto, arrepiado, chanel. “Até de vermelho pintei”. O tratamento, no início, árduo e semanal; com o tempo amenizou-se. Até hoje ela convive com a hidrocefalia, sentindo um pouco de dor na válvula implantada para drenar o líquido cerebral, principalmente no frio. Pouca coisa mudou em sua vida. Lamenta por não poder mais jogar futebol e praticar ginástica olímpica, esportes que disputava em torneios intercolegiais. Porém, destaca como a força pode nos levar a vencer grandes competições, na vida: “não vivo para doença, vivo com ela”.

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4 Comentários »

  1. Glaysson Ribeiro Duarte Said:

    Meu nome é Glaysson Ribeiro Duarte, tenho 31 anos e também sou portador de hidricefalia desde os 12 anos de idade. Assim como em Jocastra a minha provável causa foi um tombo ou uma infecção gripal. Levo uma vida normal e convivo bem com a doença. Eu gostaria de manter contato com Jocastra ou outras pessoas que também carregam dentro de si esse segundo coração.

    • Jocastra Oliveira Said:

      Olá Glayson, adorei o comentario. segue meu email para mantermos contato.abraços-oliveira_hanna@hotmail.com

  2. Jocastra Said:

    Que conhecidência,meu nome é Jocastra Costa e por acaso comecei a procurar pelo meu nome e te achei.Sua história de superação é mto importante para mim que não tenho nenhum problema e ainda reclamo da vida.Olha querida,o plano que DEUS tem para com tua vida é mto especial…..Deus ama vc!!!!

  3. elis Said:

    Olá, sou Elisangela e estava lendo matérias sobre hidrocefalia, ai cheguei até vc. Gostaria de saber vc jogava futebol? e depois da cirurgia vc não pode mais jogar? Quero saber pq tenho uma filha de 17 anos, que usa válvula desde q nasceu, mas seu sonho é jogar futebol, ela até joga de brincadeira com os amigos mais, agora coloquei para jogar em competições mais fiquei com medo além dela ter hidrocefalia tbm tem deficiência auditiva, e o time dela é só de meninas surdas. Vou levá-la ao médico pra perguntar , mas será que vc pode me ajudar, me informando se realmente é proibido? ou melhor se vc foi proibida de jogar por conta da hidrocefalia? Espero uma resposta sua. Grata


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