A menina das tranças


Era uma vez, em um reino muito, muito distante, uma menina chamada Rapunzel. Criada em uma altíssima torre, sem portas nem escadas, por uma bruxa má, seus cabelos nunca foram cortados, sendo conservados em uma bela e longa trança. Certo dia, um príncipe que cavalgava pelo bosque próximo à torre, ouviu Rapunzel entoando uma bela canção. Encantado pela voz da menina encontra a torre e a escala pelas tranças da jovem. Decidido em salvá-la, enfrenta a vilã, que o deixa cego. Porém, no fim, as lágrimas de sua amada curam a cegueira e os dois vivem felizes para sempre…

O conto de fadas alemão de 1812, de autoria dos Irmãos Grimm, imortalizou um dos tipos de penteados mais antigos da história da humanidade. Certamente, Francielle Ferreira Rodrigues, oficial administrativo do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), já ouviu a história. Até porque, assim como Rapunzel, as tranças são a sua marca registrada, ou melhor, uma tradição de família. O pai da jovem era cabeleireiro e sempre trançava os cabelos da esposa, que por sua vez, trançava os da filha. A mãe aprendeu a fazer o próprio penteado, técnica herdada por Francielle. A jovem de 21 anos confessa que começou a trançar os cabelos da irmã e das amigas da escola e, aos 14 anos, fez em si própria. “Nunca gostei que mexessem muito nos meus cabelos”, afirma.

A técnica de trançar o cabelo surgiu juntamente com a civilização africana e, até hoje, é usada para identificar tribos, idade, estado civil, crença e posição social das pessoas. Na Grécia Antiga e na Europa, durante a Idade Média, o penteado tornou-se moda entre as mulheres. Trazido para o Brasil pelos escravos, no período colonial, ressurgiu com força nos anos 70, graças ao movimento hippie, e nunca mais saiu de moda. Existem vários tipos de tranças, a lateral, o rabo-trança, a espinha, a tiara, a mini, a afro, a nagô, entre outras. A especialidade de Francielle é a raiz, conhecida também como francesa ou embutida. Ela afirma que o penteado voltou com força depois que a esposa do vice-presidente da República, Marcela Temer, o usou durante a cerimônia de posse. Na faculdade, as amigas a escalam para fazer as tranças. No Icesp, também não é muito diferente. A moça trabalha na recepção da Torre Laranja, no Térreo, e sempre é “sequestrada” pelas colegas de trabalho durante os intervalos e levada para o banheiro, onde uma fila se forma para o “atendimento vip”. A “menina das tranças” também gosta de enfeitar o penteado com borboletas, plumas e outros adereços. “O cabelo é o cartão de visita da pessoa, por isso deve estar sempre bem arrumado.”

Os cuidados com os penteados não se limitam às tranças, Francielle também gosta de variar, usando elásticos, presilhas e lenços. “Gosto de usar lenços por que ele me aproxima de algumas pacientes.” Ela ainda afirma que a trança fica bem em todas as mulheres. “No cabelo crespo, é mais fácil de fazer. A diferença está no fato de que o liso escorrega e desmancha aos poucos”, explica. Francielle vê o penteado como um truque: “quando não dá tempo de cuidar ou passar a chapinha, a trança é uma boa opção, inclusive para cabelos curtos”. A jovem, estudante do 3º semestre do curso técnico em Design e Negócios de Moda, sonha em montar um ateliê e uma marca com a mãe, que é costureira. Outro desejo é organizar um desfile de moda com as pacientes e mostrar que todas as mulheres têm sua beleza. “A moda é estar bem consigo mesmo!”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: