Minha São Paulo

Hoje, minha cidade faz aniversário. É uma jovem senhora, de apenas 457 anos, que se divide entre o antigo e o moderno. Em seu centro, nesse mesmo dia em 1554, era celebrada uma missa na pequena palhoça construída por padres Jesuítas. O início de uma história. É a antiga Vila de Piratininga, de Nóbrega e Anchieta. A outrora tribo dos irmãos Tibiriçá e Piquerobi. É a terra que abriga as margens do riacho, hoje destruído pelo homem, em que um príncipe declarou, mesmo com dor de barriga e cavalgando em uma mula, a independência de um país. Episódio que levou um de seus tantos bairros para os primeiros versos do Hino Nacional. É também a capital de um pequeno fruto, que até ficar maduro passa por uma metamorfose de cores. Verde, vermelho e, claro, preto. O ouro negro: o café. Uma pequena bolinha, que apesar de seu tamanho, foi a grande responsável por tirar uma cidade das páginas amareladas, pouco lidas, dos livros de História do Brasil. Foi a casa de grandes nomes e berço de importantes movimentos. Em seu solo, pela primeira vez uma bola de futebol rolou. Esporte que, em pouco tempo, se tornou uma paixão nacional. É a única cidade que em uma semana, se revoluciona a história da arte de uma nação. É a metrópole imortalizada nos versos dos Andrades e no samba do Adoniran. Foi nela que quatro anônimos – Miragaia, Martins, Drausio e Camargo – morreram em uma praça; dando início à uma revolução. Não por acaso, um tal de Chateaubriand, escolheu essa terra para primeira exibição de televisão no país. Foi, e ainda é, o abrigo dos migrantes e imigrantes. A cidade das oportunidades, da perspectiva. Das indústrias, do bussines. Um centro cultural, que acolhe cinemas, teatros, livrarias, sebos, e alguns dos principais museus da América Latina. O Masp, o Ipiranga, a Pinacoteca, o da Língua Portuguesa, o MAC, o MAM… É a capital de bairros importantes como Pinheiros, São Miguel Paulista, Luz, Bixiga, Liberdade, Santo Amaro, Sé, Brás. Das igrejas que por meio de sua arquitetura, obras de arte que abrigam, reformas sofridas e fatos que testemunharam contam a história de um povo. Dos trilhos do Metrô e da CPTM, que diariamente suportam o peso de milhares de pessoas. Dos ônibus que cruzam suas ruas. Da Avenida Paulista, dos engravatados; da Vinte e Cinco de Março, dos preços baixos; e dos shoppings centers. Capital da gastronomia. Da pizza, do pastel, da comida oriental, do sanduíche de mortadela. É a “terra da garoa” e, também, das tempestades. É a cidade da diversidade, das tribos urbanas. Dos católicos, evangélicos, islãs, judeus, espíritas, umbandistas, budistas, indus. Do negro, do branco, do amarelo, do vermelho, do mulato. É cosmopolita. Essa é São Paulo, a aniversariante do dia. Meu berço, minha casa, minha história, minha vida.

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2 Comentários »

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Felipe Godoy Campos, Felipe Godoy Campos. Felipe Godoy Campos said: Minha São Paulo: http://wp.me/ptGeN-u5 […]

  2. Nivia Said:

    Adorei Fê. Só acho que nos bairros importantes faltou citar o Tatuapé. Hahaha.
    Beijos e continue.


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