São Paulo ganha exame de medicina nuclear para diagnóstico de câncer no SUS

Felipe Godoy/Divulgação

Um novo exame de medicina nuclear irá revolucionar o diagnóstico de câncer para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado de São Paulo. Trata-se do PET-CT (tomografia computadorizada por emissão de pósitrons), a mais moderna tecnologia para rastreamento de tumores, agora disponível no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, unidade ligada à Secretaria da Saúde e à Faculdade de Medicina da USP.

Fruto de um investimento de R$ 4 milhões na aquisição de dois equipamentos, o exame permite a detecção de câncer em estágios iniciais, com mais precisão e exatidão que a tomografia convencional, e irá beneficiar mais de sete mil pacientes por ano.

Duas máquinas foram instaladas no Icesp. A nova tecnologia permite diagnosticar as áreas mais suspeitas de câncer, aliando imagens de medicina nuclear com a tomografia computadorizada. Essa união, conhecida como tecnologia híbrida, permite imagens anatômicas e muito precisas dos tumores.

O PET-CT também permite visualizar o grau de extensão da doença e verificar se o tumor é localizado ou já se espalhou. A partir daí, é possível planejar o tratamento, monitorar o tempo de resposta dos recursos aplicados e fazer um melhor controle da doença.

Para realizar o exame o paciente recebe uma injeção do radiofármaco FDG-18, uma substância radioativa que dá contraste exatamente no local onde existe tumor em crescimento. Isto porque, as células tumorais se alimentam de alguns compostos presentes no radiofármaco, atraindo a substância para si após a aplicação. O procedimento é simples e exige apenas um jejum leve.

Os radiofármacos são fornecidos pelo Centro de Medicina Nuclear do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da FMUSP. O equipamento que produz a substância, chamado de Cíclotron, foi instalado em um bunker de 520 metros quadrados dentro do complexo HC e protegido por paredes de concreto com 1,90 metro de expessura. Foram investidos 15 milhões na construção e aquisição de equipamentos.

Inicialmente o exame de PET-CT será realizado no Icesp para detecção de linfomas e de tumores de mama e de pulmão, sendo expandido gradativamente. Os pacientes do hospital serão os primeiros beneficiados, e a idéia é estender progressivamente o exame para pacientes encaminhados de outras unidades.

“Trata-se de uma verdadeira revolução no diagnóstico do câncer, permitindo no futuro, com a evolução das pesquisas, que a doença seja identificada em estágios moleculares ou sub-celulares. Com este exame os pacientes do SUS terão acesso ao que há de mais moderno para rastreamento de tumores”, afirma o diretor-geral do Icesp, Giovanni Guido Cerri.

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