29ª Bienal de São Paulo: política e arte no mesmo espaço

Divulgação

“Há sempre um copo de mar para um homem navegar”. É esse verso da obra Invenção de Orfeu (1952), do poeta Jorge de Lima, que intitula a 29ª Bienal de São Paulo. O objetivo é afirmar a estreita e ambígua ligação entre arte e política. Aberta ao público no sábado, 25 de setembro, o evento expõe cerca de 850 obras, 600 legendas, de 159 artistas de vários países. A exposição pretende ser simultaneamente uma celebração do fazer artístico e uma afirmação de sua responsabilidade perante a vida e a sociedade.
A mostra exibe tanto obras recentes quanto outras feitas há muitos anos. Entretanto, as obras “históricas” não são incluídas como mero “documento” do passado, mas por sua importância para entender-se a contemporaneidade. A Bienal não é apenas meramente contemplativa. Ela oferece ao público diversas formas de experimentar a potência transformadora da arte. Com essa ambição e propósito, foram construídos seis espaços de convívio que, além de servirem para pausa antes de seguir-se adiante no percurso da mostra, são usados para atividades diversas, tais como falas, projeções, performances e leituras. Chamados de terreiros, esses espaços remetem aos largos, praças, terraços, templos e quintais, lugares abertos ou fechados, onde em quase todo canto do Brasil se dança, briga, canta, brinca, toca, chora, conversa, joga ou se ritualiza a religiosidade híbrida do país.

Reprodução

Antes mesmo de abrir as portas, a 29ª Bienal causou polêmica. Uma obra com fotos de presidenciáveis foi recolhida da exposição para evitar a acusação por crime eleitoral. Já a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo, entrou na Justiça para retirar os desenhos do artista pernambucano Gil Vicente, sob o argumento de que faria apologia ao crime. Nas gravuras, Vicente se autorretrata assassinando líderes políticos e religiosos, entre eles estão o presidente Lula, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o papa Bento XVI e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Os desenhos já foram expostos em quatro cidades brasileiras. A instalação Bandeira Branca, de Nuno Ramos, também gerou discussão pelo uso de urubus em uma grande gaiola. Ativistas ambientais pedem a soltura das aves.
Polêmicas à parte, o importante mesmo é visitar a mostra, que fica aberta até 12 de dezembro. Vá, aprecie e pense…

Serviço
Local: Parque do Ibirapuera, Portão 3, sem número
Horários de funcionamento
De 2ª a 4ª feira: das 9 às 19h (entrada até as 18h)
5ª e 6ª feira: das 9 às 22h (entrada até as 21h)
Sábado e domingo: das 9 às 19h (entrada até as 18h)
Telefone: 55 11 5576-7600
www.29bienal.org.br
Entrada gratuita

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