Veja fotos inéditas do jornal Última Hora no site do Arquivo Público

Reprodução

O Arquivo Público do Estado de São Paulo acaba de digitalizar e colocar na internet parte do arquivo fotográfico do jornal Última Hora, um dos mais importantes periódicos do jornalismo brasileiro, que circulou em diversas cidades brasileiras nas décadas de 1950 e 1960. São quase 20 anos de história registrados em 54.600 mil fotografias e 1.200 ilustrações, que podem ser vistas pelo site.

Diferentes momentos da história brasileira foram registrados pelas lentes fotográficas do jornal Última Hora: o suicídio do Presidente Getúlio Vargas, em 1954; as Olimpíadas de Helsinki, em 1952; a estreia de Roberto Carlos na TV Tupi, em 1968 e a visita dos Rolling Stones ao Rio de Janeiro, neste mesmo ano. Também se destacam nomes que marcaram a música brasileira, como Cauby Peixoto, Dalva de Oliveira, Orlando Silva, Ângela Maria e Chico Buarque e o teatro, Eva Tudor, Tônia Carreiro, Procópio Ferreira, Grande Otelo e Cacilda Becker.

O tratamento de conservação preventiva e a digitalização dessas imagens é resultado do Projeto Última Hora – Acervo Fotográfico, que consistiu em organizar, conservar, digitalizar, tratar as imagens, produzir instrumentos de pesquisa e disponibilizar na internet este grande volume de fotografias. O projeto teve início em 2007 no Centro de Acervo Iconográfico e Cartográfico do Arquivo Público do Estado de São Paulo.

A diretora do Centro, Elisabete Savioli, explica que as imagens desse projeto são do Departamento de Arquivo Fotográfico da Última Hora, na forma de negativos flexíveis. “Este tipo de suporte é muito frágil e de fácil deteriorização, o que torna a manipulação dos documentos bastante complicada”, afirma. Além disso, para visualizar a imagem no negativo é preciso utilizar instrumentos específicos como lupas e mesas de luz.  “Tudo isso torna a consulta aos documentos originais mais difícil, daí optarmos pela digitalização do acervo, que irá facilitar o acesso aos pesquisadores”, completa.

A consulta às fotografias pode ser feita de três formas: por período, autor ou palavra-chave. Toda a cobertura dada pelo jornal a temas como política, esporte, artes, teatro, cinema e literatura pode ser observada no seu arquivo fotográfico. De fatos do cotidiano a grandes acontecimentos da nossa história, nada escapa das lentes dos fotógrafos da “UH”: a posse de João Goulart no Senado (1956), a prisão do jornalista Carlos Lacerda (1952), a primeira Bienal de Arte Moderna (1951), o casamento de Grande Otelo (1954), o surgimento do Cinema Novo nos anos 1950 ou a inauguração da exposição de retrospectivas do trabalho de Di Cavalcanti no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1954).

Além de fotografias, também foram digitalizadas as ilustrações publicadas no jornal, tratando de política, economia, arte e cultura. Criado por Lan, o Corvo, representando o jornalista e político Carlos Lacerda, e os gorilas fardados, representando os militares, são exemplos de caricaturas da “UH” que ficaram famosas. Os jogadores de futebol Zito, Tostão, Pelé, as atrizes Greta Garbo e Betty Davis e o escritor Carlos Drummond de Andrade são exemplos de personalidades que inspiraram ilustrações e caricaturas da “UH”.

No mesmo site, também pode ser consultado o acervo do próprio jornal Última Hora, digitalizado pelo Arquivo Público do Estado em 2008. A “UH” também foi tema de algumas publicações da instituição, como os cinco volumes da coleção “Arquivo em Imagens. Série: Última Hora” sobre artes, futebol, ilustrações e política.

O Fundo Ultima Hora está sob a guarda do Arquivo Público desde 1989 e é composto por 166 mil fotografias, 600 mil negativos, 2.223 ilustrações e uma coleção de edições da Ultima Hora do Rio de Janeiro entre os anos de 1951 e 1970, em papel ou microfilme.

Marco da imprensa brasileira

A Ultima Hora foi criada em 1951 por Samuel Wainer no Rio de Janeiro, em um período de efervescência social e política, deixando de circular em 1971. O jornal tinha uma linguagem popular e foi pioneiro em diversos aspectos como o uso constante de cores, ilustrações e fotos.  Esse jornal era o único que abrangia, nessa época, sete cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Niterói, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Recife.

Além dos temas corriqueiros do jornal como futebol, cinema e criminalidade, a “UH” também revelou seu apoio aos governos de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Jango nas páginas de política. Entre os seus colunistas destacaram-se Nelson Rodrigues, Agnaldo Silva, Arthur da Távola, Inácio Loyola Brandão, Jô Soares, Jaguar, Juca Chaves, Nelson Motta, Rubem Braga e Walter Negrão.

O arquivo fotográfico da “UH” foi formado ao longo da trajetória da edição carioca do jornal, entre os anos de 1951 e 1971, sob a direção de Samuel Wainer. O uso de fotografias e ilustrações em quase todas as páginas é uma das características marcantes da Última Hora. Para cada pauta era produzida uma missão, isto é, um conjunto de fotos tiradas para ilustrar uma notícia publicada no jornal. E, a cada missão, apenas uma ou duas fotos eram escolhidas pelo editor. Ao todo, cerca de 400 fotos eram tiradas diariamente para a cada edição, algo fora do comum à época. As fotografias, publicadas ou não, eram recolhidas ao arquivo do jornal. São estas imagens, algumas delas inéditas, que foram digitalizadas e estão na internet. Trata-se de um importante registro da história da imprensa brasileira.

Arquivo Público

O Arquivo Público do Estado de São Paulo é um dos maiores arquivos públicos brasileiros. Vinculado à Casa Civil do Estado de São Paulo, sua função é formular uma política estadual de arquivos e recolher, tratar e oferecer ao público toda documentação de caráter histórico produzido pelo Poder Executivo Paulista. A instituição mantém sob sua guarda aproximadamente 6 mil metros lineares de documentação textual permanente, 17 mil metros de documentação intermediária, 900m de material iconográfico, grande quantidade de jornais e revistas e uma biblioteca de apoio à pesquisa com 45 mil volumes.

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