Resenha: Ao Vivo de Bagdá

“Ao Vivo em Bagdá” mostra o processo de cobertura da Guerra do Golfo realizado pela rede de televisão americana CNN. O canal de notícias 24h foi o único a cobrir, ao vivo, o bombardeio americano em Bagdá, capital do Iraque, em 1991. Porém, para que isso acontecesse, a equipe de reportagem, liderada pelo produtor Robert Wierner (Michael Keaton), passou por diversos obstáculos e desafios éticos.

Tudo começa com a invasão iraquiana no Kuwait, em 1990. A busca pela audiência e a competição entre os canais de notícias incentivaram a CNN à enviar uma equipe ao país governado por Saddam Hussein. No princípio, uma entrevista exclusiva com o presidente era o principal objetivo do canal. O produtor Wierner tornou-se amigo do diretor do Ministério da Informação do Iraque, Naji Al-Hadithi (David Suchet), que o abriu as portas ao líder iraquiano. Entretanto, a entrevista já não era mais um furo jornalístico, pois já havia sido realizada por outra rede americana. A amizade entre o produtor e a autoridade rendeu à CNN a liberação de um four-wire, aparelho que permitia a comunicação ao vivo com a sede da emissora, em Atlanta.

Em 16 de janeiro de 1991, os Estados Unidos entraram oficialmente em guerra com o Iraque e bombardeou a capital Bagdá. Como a maioria das outras redes já haviam se retirado do país, a equipe da CNN foi a única a transmitir, ao vivo, o início da guerra. A CNN, que era considerada um pequena emissora, tornou-se o centro das atenções em todo o mundo. As narrativas dos âncoras Bernard Shaw, Peter Arnett e John Holliman (Robert Wisdom, Bruce McGill e John Carroll Lynch), direto do 9º andar do hotel Al-Rasheed, localizado em uma área nobre de Bagdá, colaboraram para que o canal se tornasse uma referência mundial.

Em vários pontos do filme percebe-se os conflitos éticos vividos pelos jornalistas. A entrevista feita pela equipe com Bob Vinton, americano mantido refém no Iraque, perturbou Wierner, que não sabia o que havia acontecido com ele após a exibição da reportagem. Para o produtor, estar em Bagdá era “o equivalente jornalístico a pisar na lua”, porém, em diversos momentos se depara com a seguinte dúvida: jornalismo é apenas reportar o fato ou é a busca pela verdade no que está por trás dele?

A coragem e determinação da equipe são exemplares. Realmente, para um profissional não há valor que pague o fato de ser pioneiro. O jornalista tem a obrigação de levar ao público uma informação de qualidade, entretanto, a busca pela notícia não pode ultrapassar aquilo que ele considera correto e ético.

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