Por Márcia S. de Souza

Mesmo na dureza do dia-a-dia existem ainda existem cenas que nos chocam, hoje vi uma dessas.

Estava caminhando para o trabalho quando vi um homem, devia ter uns trinta anos, agachado comendo os restos de comida de um saco de lixo. Sem olhar para o lado, sem olhar sequer para o que era, ele devorara como se aquela comida fosse a melhor do mundo e para ele era a única que lhe era permitida. Transeuntes olhavam para aquele homem e não o via, não enxergavam a agonia daquela criatura, talvez esses envolvidos em suas próprias misérias, em suas próprias tragédias.

Passei o dia inteiro pensando naquilo, naquele homem, naquela fome. Existem muitos tipos de fome, a fome de saúde, a fome de cultura, a fome de amor, a fome de viver, mas assim como aquele homem também me sinto mendigo. Nossos governantes poderiam, pelo menos, tentar matar nossa fome. O básico: saúde, educação, saneamento básico.

O descaso por nós é tão grande que nada mais parece comover essas pessoas, que são eleitas por nós e que por nós nada fazem. A nós cabe a desculpa de falta de tempo, falta sim vontade de nos mobilizarmos e não continuarmos imobilizados, para podermos ter certeza de que amanhã não sejamos nós a revirarmos o lixo. Precisamos sair do nosso mundinho, um mundinho totalmente autista, um mundo só nosso. Caso contrário seremos eternamente famintos.

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